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O QUE DIZER DA MULHER? por Misael Nóbrega de Sousa

A mulher é o próprio entusiasmo fecundo. E me calar é pecado. Há luta em toda a trajetória de sua vida-semente. Difícil predizer quando está triste, pois a mulher não tem a felicidade como ambição primeira. Não preceituem a mulher. Ela é a dúvida que não necessita de resposta. A mulher não nasceu da costela de nenhum Adão. Ela pariu… Ela mesma.

A mulher também não foi anunciada pelas trombetas de Querubins. O seu motivo foi de exultação interior. Adveio do seio do mundo. Sem alarde. E ela se fez Deus. E a mulher é o hálito; o berro; o transitório; e, em sendo assim, a mulher é folha seca na aridez da terra. É ventre e é sepultura. E é o livre-arbítrio também.

A mulher é a grata confissão da existência, feito essência de uma coisa pura – uma biografia: Joana d’ arc, Evita Perón, Anita Garibaldi, madre Tereza de Calcutá, irmã Dulce, Rosa Luxemburgo, Maria Quitéria, Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral, Cecília Meireles, Olga Benário, Frida Kahlo, Margarida Maria Alves… E é ainda, penitência. – E destaco nossa Senhora, santificada e cheia de glória – Em respeito cristão.

Não havia mesmo porque se esconder. O conceito não queimaria na fogueira. Atribuíram às suas causas, o glamour e desafiaram o convencionalismo. Arrancaram as amarras que impunham a sociedade machista, escravocrata, preconceituosa e ignorante, muito mais pela doação de si mesmas. Elas não queriam ser mártires. Não houve nenhum tipo de sortilégio. Aquilo foi amor. E nada mesmo foi ensaiado. A experiência foi o grito: dilacerante e humilhante, mas que ainda ecoa. E nem mesmo mil vezes mil atos de amargura foram suficientes para amordaçá-las para sempre.

Tivemos um episódio inventado onde, no ano de 1857, cento e trinta funcionárias de uma fábrica têxtil, nos Estados Unidos, teriam morrido incendiadas, em meio a uma greve por melhores condições de trabalho. Tal mito surgira do cruzamento de vários fatos, entre eles um incêndio real ocorrido na Companhia de Blusas Triangle, em 1911, também em Nova York, no qual 146 pessoas morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens, de maioria judia, induzindo a todos a voltar às suas atenções para a mulher, em cada dia 8 de março, como um obituário de intento memorial. Como se precisasse…

Contudo, agravo não muito diferente da historieta da mulher de primeiro nome Consolação, nascida com a missão de criar ela mesma; e, que ignorada, tem que travar a sua luta diária contra os padrões da sociedade – Que insiste em não se curvar diante da evolução dos tempos… – Mesmo que esse progresso caminhe a passos lentos. E há uma legião silenciosa dessas mulheres – E esse silêncio sustenta o mundo. Não é sujeição, é virtude. Elas fogem da noite, cobrindo-se com o dia. E a luta que travam vem pelo exemplo. E a cada hora um sem número delas é espelho de Cristo.

Onde fica o muro das lamentações de todas as Marias do mundo? Em todos os cantos do mundo. Mas, não há choro e ranger de dentes.

Na África e no oriente médio três milhões de mulheres são sujeitas à mutilação genital todos os anos para que, entre outras coisas, não procriem mais. Pobre humanidade que teme a si mesma; como se isso não fosse vaidade. Em todas as épocas, mulheres se empenham em favor de um ideário; e doam a própria vida, numa metamorfose que sempre se demudará de escafandro à mariposa.

(…)

E a cada estação esses milhares de borboletas voarão insistentemente na direção do fogo, pois esse é o preço que se paga pela liberdade.

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